A Psicologia permite ao
homem procurar seriamente o que lhe corresponde em plenitude; permite que
nada fique sem resposta. Sócrates
tornou a frase "conhece-te a ti
mesmo" como a base de tudo. Em contraste com o pensamento anterior,
que atinge a sua expressão máxima no trabalho dos pré-socráticos, o "pai da filosofia" argumenta que sem
um trabalho do "eu sobre si mesmo" todo o saber filosófico se reduz a uma História de Ideias e não a uma realização pessoal.
A procura da lei do
devir, ou do movimento, e de como ela acaba por ser a razão ou unidade da multiplicidade,
levou os pré-socráticos - de Tales a Demócrito - à identificação de um "arché", um princípio ou logos:
razão de ser lógica e ontológica da natureza ou fúsis. Dai eles serem
também designados de fisiólogos; mas não todos no mesmo saco. Não se pode
igualar um Parménides com um Leucipo. Mas a onda é a mesma. A "vaga"
de Sócrates irrompe e afirma: não andes lá por fora mas entra em ti mesmo e
debate-te; procura, sim, aquilo sem o qual nada pode ser procurado; procura a
lei do teu movimento interior, o sustento do teu eu.
Ou seja, cada ser humano nasce munido de um conjunto de
exigências e evidências (de justiça, de verdade, de felicidade, de amor), e é
com elas que "sai" para o mundo e confronta "o que lhe
acontece" com essa "natureza" ou "coração".
Adoptar outro critério é pura alienação, é deixar-se pensar pelos outros.
Nada há de pior do que viver de uma resposta sem que alguma vez se tenha feito
a pergunta.
Trata-se de um processo
que não é difícil mas exige trabalho. É um apelo à inteligência, na
disciplina do apuramento dos critérios, do "conhece-te a ti mesmo".
Trata-se de um trabalho pessoal, de uma ascese,
de um "começar a julgar". De uma libertação, de se chamar, e chamar
cada coisa pelo nome. Levando ao fundo as perguntas sobre o sentido
da vida, mergulha-se num oceano de conversão,
isto é, de "mudança" do coração.
A filosofia pergunta,
pergunta. É só jogar para fora? Às vezes sim, outras não. Pode haver
tantas filosofias quantos os filósofos. Mas filosofia há sempre. Todos temos
algumas ideias sobre a vida, nem que seja a de não ter ideia nenhuma.

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